Consagrada como a série mais lucrativa da Netflix, ‘Round 6’ ganhou duas temporadas após o sucesso estrondoso de seu lançamento em 2021. Dessa forma, a produção conseguiu mostrar os efeitos positivos a série estendidas tais como finalização de tramas inacabadas e o desenvolvimento de personagens. Mas, por outro lado, os aspectos negativos dessa decisão também se mostram, tornando o desfecho antes satisfatório em algo questionável.
A terceira temporada é continuação direta do jogo no qual o protagonista Seong Gi-hun insiste em participar na temporada anterior. Consagrado como o vitorioso improvável no primeiro ano da série, dessa vez ele mostra o porquê ter sido vencedor, apesar de contar com muita sorte, ele também é um jogador destemido desse tipo de “jogos mortais coreano”.
Adeus aos bons personagens

Uma das melhores escolhas na continuação da série foi a apresentação de personagens interessantes. Metade do novo elenco ainda leva os questionamentos anteriores, principalmente a abordagem pela ganância que os leva até a final como Jeong-dae/Jogador 100 (Im Jeong-dae) e Lee Myung-gi/Jogador 333 (Yim Si-wan).
Já a dinâmica do trio feminino formado pelas jogadoras 149, 120 e 222 mostra a força na comunhão de histórias tão diferentes resultando no mesmo fim trágico. A escolha de mostrar as três juntas reforça a discussão sobre humanidade e dignidade frente aos princípios que elas apresentam.
Já o protagonista Gi-hun como peça central no desenvolvimento da série, dá o espaço do holofote para outros personagens enquanto ele embarca na sua jornada de impotência. Apesar de sua trama finalizar sem a consagração esperada, a série consegue desenvolver aspectos de sua figura como a perda total da esperança, apatia e o encontro de uma nova motivação para seguir no jogo após seu objetivo principal ser inviabilizado.
Mesmo com muitas conveniências no roteiro e facilidades para Gi-hun continuar no jogo desde a primeira vez que participou, ainda assim, ele consegue encontrar seu lugar de redenção pois encara um dilema familiar que lembra sobre sua postura com a própria filha.
Encerramento de ciclos

Apesar do alongamento ser desnecessário em muitos aspectos, as subtramas em diferentes cenários são satisfatórias por conseguirem explicar melhor o funcionamento dos jogos para o espectador. Nesse aspecto, a série consegue facilmente desenvolver situações apresentadas rapidamente na primeira temporada.
Para isso, novas histórias são bem aproveitadas como a ótica de mostrar uma personagem do lado dos funcionários do jogo com atiradora 011 (Park Gyu-young). Além de servir como um bom recurso para amplificar a trama, suas motivações pessoais também se mostram um ponto alto do roteiro.
Esse cuidado com a 011 foi o que faltou com o policial Hwang Jun-ho (Wi ha-jun), afinal, conhecemos sua motivação e ele apresenta um núcleo interessante, mas não desenvolve a trama durante duas temporadas inteiras. Além de ser negligenciado durante tantos episódios, o que seria o momento de maior destaque para sua trama é visto com normalidade e seu desfecho não o leva a uma conclusão dos objetivos iniciais.
O drama coreano

Com indicações de um spin-off americano após a finalização da série, é difícil pensar em algo que funcione sem a dramatização coreana. Os closes da direção de fotografia além das interpretações maximizadas são elementos essenciais que marcaram a série: personagens chorando, suando e se tremendo ao tentar continuar nos jogos são a grande marca visual dessa temporada.
Tudo bem que é difícil o streaming se desfazer de uma série tão lucrativa, mas, é um trabalho quase impossível acompanhar o marcante drama coreano. Essa possível americanização da série é uma escolha bem questionável, principalmente quando analisamos os personagens considerados “vips” que apostam na morte ou sobrevivência dos jogadores e bancam toda a experiência com seu hedoismo. Essas figuras são exatamente a sátira política de apresentá-los nativos da língua inglesa com sotaque forçado apostando na vida dos personagens coreanos.
Mesmo com um roteiro que nem sempre é inovador, mas sim funcional, ‘Round 6’ finaliza com seu ritmo frenético e personagens carismáticos. A escolha de um final buscando a americanização da trama é questionável e implica em abandonar um dos pilares morais da produção ao longo dos anos, a qual mesmo possuindo defeitos, conseguiu deixar sua marca e reflexão para o mundo.




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[…] ‘Round 6’: 3ª temporada tem desfecho esperado e questionável […]
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