Após quebrar barreiras de linguagem ao apostar na produção de doramas, a Netflix lançou uma produção com pé na Coreia e linguagem universal. ‘Guerreiras do K-Pop’ surge como a nova aposta de animação no streaming e ainda se consolida como um filme de ótimo desempenho na trilha sonora. Isso graças a trama que acompanha o grupo feminino fictício de K-Pop Huntr/x, com músicas autorais e temáticas universais, possíveis de relacionar com diferentes públicos.
Para dar sentido às temáticas que o longa propõe, a trama envolve as personagens Rumi (Arden Cho), Mira (May Hong) e Zoey (Ji-young Yoo) na missão de proteger o mundo de demônios devoradores de almas. Convenientemente, para isso, elas precisam usar a música como arma principal, entoando suas composições – onde o filme se revela mais denso.
Músicas leves, abordagem necessária

O filme usa o potencial de um estilo musical muito abrangente como o K-Pop com a necessidade de falar sobre saúde mental. Assim, a caça aos demônios é apenas uma alegoria sobre os vilões da vida real. Na trama, o rei dos demônios não tem forma definida, sendo ilustrado como uma chama e definido como uma voz mental que relembra momentos difíceis e faz os personagens duvidarem de si mesmos.
É dessa forma que a cantora Rumi mostra sua trajetória de segredos e fragilidades. Sem muitos spoilers, sua trama demonstra que até mesmo os mais talentosos como ela, a líder do grupo, possuem características ruins, o que não a define como pessoa.
Essa abordagem constante sobre dramas mentais, amizade e demônios internos eleva o que seria apenas um filme bonito com estética futurista para uma produção relevante. Da mesma forma, o longa consegue chamar atenção para situações decorrentes no universo k-pop. Questões como saúde mental e abuso de trabalho são constantes na rotina dos idols e o longa aborda isso de forma lúdica sem soar acusativo.
Imersão futurista

Para envolver a trama densa, a direção de arte aposta em visuais impactantes. As cenas das personagens sempre têm um toque futurista e inovador, com luzes fortes, neon e cenários lúdicos. Até para personalizar os demônios, figuras que seriam repulsivas, o visual mostra bastante criatividade dando a cada um características próprias.
Em contrapartida ao Huntr/x, os demônios se organizam como Saja Boys, um grupo masculino com músicas superficiais. Assim, a luta interna de cada fã dos grupos também se torna uma batalha musical, rendendo cenas dinâmicas e um bom desempenho técnico da animação.
Como filme produzido pelo setor de animação da Sony, sua trilha sonora foi pensada em ampla distribuição. As músicas possuem envolvimento de nomes da indústria k-pop tanto na composição, quanto na interpretação, o que levou as canções para o ranking da Billboard 200. Sendo assim, a primeira estreia de trilha sonora no topo em 2025.
Com produção inicial em 2021, o longa se assemelha na trama com a animação da Disney ‘Red: Crescer é uma Fera’ (2022). Entretanto, o amadurecimento da história e atenção da parte sonora distanciam o filme de tal comparação. Em aspectos negativos é claro que o filme exige bastante renúncia da realidade inicialmente, mas, assim que a trama avança, as sequências parecem mais naturais. Ademais, ‘Guerreiras do K-Pop’ é uma ótima surpresa e começa a aquecer a temporada de premiações ainda morna.



